Nivaldo Santiago (1929-2021)
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Foto: Michael Dantas

Nota de pesar

Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas
 

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa lamenta, com profundo pesar, o falecimento do maestro Nivaldo Santiago, de 94 anos, neste domingo (04/04).

Nivaldo Santiago nasceu no Amazonas, em 1929 e graduou-se em piano pela Faculdade de Música “Carlos Gomes”, em São Paulo.

Em Manaus, o maestro participou da criação do Coral João Gomes Júnior, em 1956, sendo um dos grupos mais antigos do Brasil.

No início dos anos 2000, fez, junto com o maestro Luiz Fernando Malheiro, a revisão da ópera “Alma”, de Claudio Santoro.

“Era uma personalidade muito especial, uma pessoa entusiasmada, um amigo, um compositor e maestro bastante especial. Fico muito triste com mais essa perda”, comenta Malheiro.

No dia 3 de novembro de 2014, em uma cerimônia realizada no Teatro Amazonas, Nivaldo recebeu o título de Professor emérito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) por sua trajetória na música regional.Em novembro de 2019, Nivaldo participou da estreia mundial da cantata cênica “Romance das Icamiabas”, também no Teatro Amazonas. Um poema de João de Jesus Paes Loureiro, com música de Nivaldo.

“É uma perda inestimável para a cultura do Amazonas. O maestro Nivaldo foi um grande artista, contribuiu muito para a arte do Estado e, com certeza, deixa um grande legado. Em 2019, conseguimos homenageá-lo com um espetáculo e uma placa de honra no Teatro Amazonas, onde estará eternizado”, afirma o secretário de Cultura e Economia Criativa, Marcos Apolo Muniz.


https://cultura.am.gov.br/portal/nota-de-pesar-nivaldo-santiago/

Nivaldo Santiago

Nota de pesar
 

Músicos, cantores e professores amazonenses ficam um pouco órfãos após a partida do grande “Maestro das Águas”.

É com pesar que a ADUA registra o falecimento de Nivaldo Santiago, ocorrido no domingo (4), em Minas Gerais.

Nivaldo recebeu em 2014 o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) por sua brilhante trajetória na música na região Norte.

Amazonense, o maestro completaria 92 anos no dia 14 de julho. Em sua contribuição inestimável na educação no Amazonas está a criação do curso de licenciatura em Educação Artística, em 1980, a direção do Setor de Artes na década de 1970 e a criação do Coral Universitário, com um legado visível nos dias atuais.

O maestro foi homenageado em 2009 pela criação do Coral João Gomes Júnior, com a publicação do livro “Nivaldo Santiago: uma Amazônia em música”.

A Seção Sindical se solidariza com a dor dos familiares e de todos aqueles que com o maestro conviveram nas esferas profissional e pessoal, rendendo homenagens ao trabalho por ele realizado em toda a sua carreira.

Nivaldo Santiago, presente!
Nota publicada pela Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas - 07 Abr. 2021

 

Foto: Arquivo da editora

Foto da noite em que recebeu o título de

Nota de pesar

Amazonas perde 'maestro das águas', professor emérito da Ufam, Nivaldo Santiago

 

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) lamenta, com grande pesar, o falecimento do maestro e professor emérito Nivaldo Santiago, ocorrido neste domingo (04), em Minas Gerais.

Nascido no Amazonas, Nivaldo Santiago deu contribuição inestimável às artes em nosso estado e nossa universidade, tendo sido o responsável pela transformação do Conservatório de Música Joaquim Franco em unidade acadêmica da então Universidade do Amazonas (UA), em 1968, um marco de extrema importância na história da atual Faculdade de Artes.
 

O compositor e regente também é reconhecido por seu papel no desenvolvimento do canto coral no país: em 1956, fundou o Coral João Gomes Jr., em atividade até hoje; criou o Coral Universitário do Amazonas, na década de 1970; além de orquestras e coros em São Paulo e no Pará.
 

Neste momento de dor, a direção da Faartes e toda a sua comunidade universitária rendem homenagens ao legado do maestro Nivaldo Santiago e desejam conforto à família e aos amigos deste grande artista.
 

TRAJETÓRIA

Nivaldo de Oliveira Santiago nasceu no dia 14 de julho de 1929. Foi professor de música, compositor e regente. Graduou-se em piano pela Faculdade de Música Carlos Gomes, em São Paulo, estudou órgão em Bolonha, na Itália, onde teve a oportunidade de se apresentar com conjuntos vocais e instrumentais.
 

No Brasil, foi aluno de Angelo Camin, formador de uma geração de organistas, na cidade de São Paulo. Especializou-se em Musicologia, sob orientação do professor Macário Santiago Kastner, em Lisboa, Portugal, como bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian. Frequentou cursos de composição, regência coral e orquestral com João Gomes Jr., Emerich Csamer, Fritz Iöede e Michel Corboz, no Brasil e no exterior.
 

Na Ufam, Nivaldo Santiago dirigiu o Setor de Artes, hoje Centro de Artes (CAUA). Juntamente com sua esposa, professora Maria do Socorro de Farias Santiago, também foi o responsável pela criação do curso de licenciatura em Educação Artística, em 1980. Em 2014, o Conselho Universitário concedeu ao maestro o título de professor emérito por sua trajetória na Música da região Norte.

O professor Jackson Colares, autor da propositura, lamentou a perda. "Hoje perdemos além de um grande maestro, perdemos um professor de muitas gerações de músicos, de professores e de cantores. Perdemos um amazônida valoroso que lutou pelo reconhecimento de nossa cultura e da música coral no Brasil. Foi ele o fundador do Coral Universitario a 49 anos atrás, foi também o criador do primeiro curso de graduação na área de arte no Amazonas, “ a Licenciatura Plena em Educação Artística”, criando oportunidades para inúmeros jovem que pretendiam investir e trilhar pelos caminhos das artes. Perdemos o nosso Professor Emérito!!!! Ficam as lembranças, as oportunidades criadas e os ensinamentos", salientou.
 

Para a diretora da Faculdade de Artes, Rosemara Staub de Barros, o maestro Nivaldo Santiago significa a história das artes na Ufam. "Compositor, regente, arranjador musical e professor de Música, buscou estratégias para que pudéssemos ter o primeiro curso de licenciatura em Educação Artística na UA. Criou o Coral Universitário e dirigiu o Setor de Artes na década de 1970
Seu legado administrativo está aí, a Faculdade de Artes com varios cursos em funcionamento. Como compositor, deixa uma linda história da música do Amazonas que nossa missão será a propagação da sua criatividade musical", considerou.

O reitor da Ufam, professor Sylvio Puga, declarou profundo pesar pela partida do professor emérito, Nivaldo Santiago, o 'maestro das águas'.
 

"Muitas são as suas contribuições culturais e acadêmicas para a nossa Amazônia. Fomos agraciados por termos podido viver seu legado e sermos, como comunidade universitária, beneficiados com seu amor pela música, seja pensado nos espaços ou pela obra do artista. A ele toda nossa gratidão e respeito. À família e aos amigos, nossas condolências", disse.

Nota publicada no site da Universidade Federal do Amazonas - 05 Abr. 2021

Foto: Arquivo da UFAM

Nivaldo Santiago

O encontro marcado: Fernando Sabino e o Maestro das Águas Nivaldo Santiago

Lúcio Emílio Júnior*

 

Nesse domingo de Páscoa, infelizmente, Bom Despacho perdeu um dos artistas de maior expressão que já pisou e viveu nessa terra: maestro Nivaldo de Oliveira Santiago (1929-2021), o chamado “Maestro das Águas”. Amazonense, Nivaldo aclimatou-se muito bem em Minas. Tinha inclusive um estilo discreto de ser, muito mineiro, nunca buscando publicidade. Isso, com certeza, fez com que muitos de vocês leitores não o conhecessem.

 

Lembro-me que estávamos numa festa quando professora Maria do Socorro, minha querida colega de universidade, contou-me que ela e Nivaldo já eram eternos, tornados que foram personagens de um dos maiores escritores brasileiros, o mineiro Fernando Sabino, autor de O Encontro Marcado, O Homem Nu, O Grande Mentecapto - esses dois últimos adaptados com sucesso para o cinema.

 

O livro Encontro das Águas, Crônica Irreverente de uma Cidade Tropical (1977) traz Nivaldo e Maria do Socorro Santiago entre seus principais personagens.

 

“Encontro Márcio Souza e Nivaldo Santiago me esperando no aeroporto: -- estamos aqui há mais de duas horas (...). Márcio Souza é escritor. Nivaldo Santiago é maestro. São ambos da Fundação Cultural, e a eles fui em boa hora recomendado” (SABINO, 1977, p. 16).

 

Ambos – Nivaldo e Socorro - me contaram que o texto de Sabino foi encomendado pela Sharp e recusado, pois não falou bem da Zona Franca de Manaus. Sabino transformou-o, então, em livro. A empresa ficou desgostosa, especialmente, com uma frase de Nivaldo: “Quando lhe digo que me sinto como se estivesse dentro d´água, Nivaldo Santiago sorri: -- Nós temos aqui mesmo o cérebro meio aguado” (SABINO, 1977, p. 34).
 

Nivaldo contou-me que falou isso com Sabino em meio a muitas outras conversas e ele pegou e colocou no livro. Essa frase foi considerada muito crítica e foi um dos motivos da recusa da Sharp em adquiri-la para um encarte destinado a seus clientes. O texto, em geral, é positivo quanto a Manaus, mas salga quando fala na Zona Franca.

 

Muitas de suas características curiosas são captadas: Maria do Socorro dirige, Nivaldo não, enquanto isso, Nivaldo ficava “orquestrando” o trânsito. Eu ainda observei isso quando “naveguei” junto aos dois em Bom Despacho.

 

Nivaldo e Socorro são os astros do livro de Sabino. Além de servirem de interlocutores, algumas das situações vividas pela intrépida dupla repetem-se junto a outras pessoas da cidade, o que os tornou símbolos de toda Manaus: ao pegar um táxi, Sabino encarnou o maestro ao auxiliar o rapaz a enfrentar o confuso trânsito manauara; ao sair de barco para conhecer a floresta, saindo do porto cheio de outros barcos e canoas, Sabino é quem transforma-se em maestro preocupado com a orquestra que é o trânsito fluvial! Como diz a canção, todo encontro é também despedida. Como contou Sabino no final do Encontro das Águas: “Conta-nos [Nivaldo Santiago] que em breve irá ao Rio para contratar músicos: o governador assinou o ato criando a orquestra sinfônica de Manaus. É uma boa notícia: para celebrar, consumimos o resto de uísque que sobrou de meu primeiro dia. E eles se vão, deixando-nos a sós – integrados, nós próprios, em terna harmonia. Já nos despedimos dos outros amigos que fizemos aqui. E já dissemos adeus a Manaus. Agora vamos partir. Manaus, Manaus! Em breve estaremos lá em cima e esta cidade que durante alguns dias me desnorteou com suas contradições, me entusiasmou com sua grandeza, me deprimiu com seus problemas, me seduziu com seus encantos não será mais do que um ponto de luz cercado pela escuridão. De luz e de esperança” (SABINO, 1977, p. 110).

 

Há dezessete anos partiu Sabino, agora partiu Nivaldo. Um dia todos vamos partir. Esperamos encontrá-los em outro plano agora, lá em cima. Já são sem dúvida dois pontos de luz. E a esperança, essa eles deixam aqui dentro de nós.

(*) Lúcio Emílio do Espírito Santo Júnior é professor e escritor.
Crônica publicada no jornal
IBOM - Jornal de Negócios

Apresentação da orquestra do projeto "Cr

Foto: Perfil do Coral Voz e Vida no Facebook(detalhe)

Tudo na terra vai acabar, 
Somente a música sempre viverá...


Neste dia em que celebramos a passagem de Nivaldo Santiago para os páramos celestes, neste templo, em que tantas vezes ele transformou em teatro, com o maior respeito, e trouxe o melhor da música ocidental para esta cidade, trouxe a expressão de seu amor a Deus e sua devoção a Nossa Senhora, cumpre-me agradecer às maravilhosas pessoas de Bom Despacho que tão bem nos acolheram e estão acolhendo minha família, todo amor e carinho demonstrado a Nivaldo Santiago, o Maestro das Águas como foi cognominado, meu marido, nesta despedida. 
Quero pedir licença para, em nome de todos os demais, citar como representante, esta que está ao meu lado, Marlene Correia, irmã, filha, amiga de todas as horas, incansável em aliviar o sofrimento de Nivaldo e da família inteira nos momentos difíceis que atravessamos.
Nivaldo foi uma pessoa excepcional: sério, sábio, humilde, companheiro. Fez da música o quadrante da sua vida: a educação musical era o seu norte, o canto coral o conteúdo de sua existência.
Um mestre nato, por onde andou semeou o incrível gosto pelas artes e pelo desenvolvimento do ser humano através das artes. 
Hoje, o Brasil inteiro o reverencia e seus pupilos se manifestam gratos. Vamos guardar para sempre suas palavras e suas atitudes em nosso coração e procurar seguir seus desejos.
Para encerrar quero compartilhar com vocês uma das últimas lições que me passou, já no seu leito de morte, dirigindo, como ele mesmo disse, para eles:



“Diga a eles que agora é tempo de
nos reforçarmos espiritualmente, nos
desprendermos das coisas materiais”.



        Descanse em Paz, meu amado Nivaldo Santiago!

Mensagem lida pela esposa, Socorro de Farias Santiago, ao final da missa de sétimo dia, realizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Bom Despacho (MG), em 10 de abril de 2021.

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