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Prefácio

 

Não temos direito à omissão!

 

O Brasil, bem como o mundo, passa por um momento dos mais difíceis, quando se expõem pensamentos, sentimentos e ações de um grupo que se autointitula de extrema direita. Esse grupo defende a postura do embate para se afirmar dominante. Valoriza a posse em detrimento da vida. Compara a necessidade de “desenvolvimento” a uma luta no ringue em que vence o mais forte, aquele que consegue aniquilar o adversário/inimigo. E bem sabemos que ‘viver em sociedade’ não se pode resumir em disputa onde o mais forte vence. O convívio entre pessoas deve buscar a pacificação e esta se conquista com a igualização de oportunidades, com chances iguais – nas devidas proporções – a cada um e a todos.

E o que estamos vivenciando neste momento é que se propõe um fortalecimento dos mais fortes e enfraquecimento dos mais fracos, como bandeira ideológico-política a se buscar. Ser ‘de direita’ para uma boa parte da sociedade mundial está sendo conquistar mais benefícios para uma pequena classe, em detrimento da grande maioria, levando assim ao distanciamento cada vez mais distante entre os mais ricos e os mais pobres. Basta ver o que ocorre na vizinha Argentina, onde o governante que está recebendo afagos desta ala “à direita”, está ‘conseguindo domar a inflação’, mesmo que seja à custa de sacrificar mais de 55% da população do País que está cada dia mais pobre, em estado de quase miserabilidade.

A vida em sociedade não pode ter este desfecho.

Precisamos entender que não se trata de defesa de posicionamento ideológico, nem político, porque o que está em jogo é o futuro da humanidade, assim como esteve, já, em situações passadas, como no embate contra os ideais destrutivos do nazismo. Havemos de aceitar, sempre, o posicionamento ideológico do outro, sim, mesmo que seja em direção contrária ao nosso, porém não temos o direito de nos calar quando este posicionamento vai além da manifestação da ideia e passa a atos e ações que levam à subjugação de pessoas à vontade de um pequeno grupo, seja ele de que viés político for.

E é a esse caminho de reflexão que nos leva a leitura dos escritos do médico, cidadão e amigo José Simonini Filho, neste livro. Com o seu estilo combativo, José Simonini não se dá o direito de assistir às injustiças, às ofensas, às agressões aos direitos das pessoas e não se manifestar contra isso. É como o beija-flor que carrega a água no bico, quantas vezes for preciso, para apagar o incêndio na floresta: nunca deixará de fazer a sua parte, nunca será omisso!

Joaquim Osório Duque-Estrada, autor da letra do Hino Nacional Brasileiro parecia conhecer José Simonini ao produzir o verso “Verás que um filho teu não foge à luta/”. Ele, o Simonini, é assim como diz a letra do Hino, “não foge à luta”.

Conheço Simonini desde o ano de 1984 quando, recém-chegado a Itaúna, passei a cobrir as reuniões da Câmara Municipal, onde ele era vereador dos mais atuantes, inclusive presidindo a Mesa Diretora daquela Casa nos anos de 1983/1984.

E nestas quatro décadas pude acompanhar as ações de José Simonini Filho, com a certeza sempre de que ele não se cala ante injustiças, não se omite quando é necessária a sua presença. Sempre na defesa do que acredita.

E é assim que se apresenta neste livro, que reúne mais de 30 artigos por ele assinados e publicados no jornal itaunense “Folha do Povo”. Simonini se posiciona ante as notícias acerca da administração (ou falta dela) de um presidente afeito a afagos do grupo da extrema direita e aponta suas mazelas. Coloca ‘o dedo na ferida’’, como dizia minha mãe, com afirmações que mostram o resultado prático de ações do governo central, na vida do cidadão comum. Em um embate com outro colunista do mesmo jornal, ele trata da disseminação de uma prática médica que condena, do alto da sua experiência de décadas no exercício da medicina e atendendo às camadas mais necessitadas da população.

Vale a pena a leitura deste livro, a análise sofre as reflexões colocadas. Afinal, não temos o direito de nos omitir, como sempre apregoa José Simonini Filho.

Sérgio Cunha

 

(Sérgio Fernandes da Cunha é jornalista profissional, graduado em Graduação em Comunicação Social/Jornalismo, especialista em Comunicação Pública e pós-graduado em Gestão em Processos de Produção Gráfica. Tem experiência de mais de 40 anos em jornais, rádios e emissoras de TV em Minas Gerais. Membro da Academia Itaunense de Letras,
sendo o  titular da Cadeira 26)

ISBN 978-65-86805-20-8
102 páginas


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